Dia do Esportista

Nesta data comemorativa, todos os esportistas unem-se fraternalmente no desejo de viver intensamente a dinâmica do movimento corporal através da atividade física. Observa-se que atletas de alto nível são vistos como esportistas, porém, esportista é, também, todo aquele dedicado à gênese do movimento sem a existência obrigatória do alto nível da performance competitiva ou, ainda, aquele submetido ao gesto motor de uma atividade física capaz de expressar a ação motriz independente, individualizada ou coletiva. É fato bastante conhecido a incapacidade do ser humano de viver sem a realização de uma ação motriz, isto é, sem a prática da atividade física, seja ela de natureza competitiva ou não. Temos como prova os registros históricos de práticas esportivas realizadas ao longo de toda civilização humana. Eles existem desde as civilizações mais antigas do mundo, como a dos Sumérios, responsáveis pelo desenvolvimento da escrita em 3.500 a.C., chegando até o fim do Império Romano do Ocidente em 476 d.C., e prosseguindo até os dias atuais. Portanto, verifica-se a existência da cultura desportiva em todo processo histórico, revelando a valorização da motricidade humana em diferentes períodos da humanidade. Assim sendo, trata-se de um instinto ou um impulso movidos por uma paixão pelo movimento.

Cabe destacarmos que a cultura desportiva se constituiu de formas bastante distintas ao longo de cada período da humanidade, em razão de propósitos militares (como faziam os Espartanos) ou de objetivos relacionados à integridade física do corpo (como faziam os Atenienses). Contudo, para o esportista atual, a paixão pelo movimento consiste na busca pela saúde. A saúde como uma instituição histórica, ergueu-se de forma articulada às principais concepções filosóficas e culturais, ao longo de toda evolução da corporeidade humana. E a evolução do conceito de saúde, em paralelo com o de motricidade, exerceu forte influência na consolidação de argumentos positivos atribuídos aos benefícios do esporte. Nota-se que a evolução da corporeidade nunca deixou de destacar, desde a antiguidade até o momento atual, a importância do movimento no universo de todo esportista. Segundo Platão, a saúde consistia na descoberta da estrutura do corpo, pelo médico, e na descoberta da estrutura da alma, pelo filósofo, cabendo ao médico restituir no corpo doente seu estado são, e ao filósofo infundir na alma discursos e argumentos legítimos quanto à convicção virtuosa do bem-estar.

Desse modo, ao realizarmos uma reflexão crítica atualizada sobre o paradigma de saúde, destacamos a existência de uma motivação pela busca do movimento no cotidiano de todo esportista. Motivação essa capaz de nutrir no esportista a necessidade diária da saúde do corpo e do bem-estar da alma. No entanto, essa motivação envolve um conjunto de elementos sujeitáveis responsáveis por estimular e orientar o esportista e por levá-lo a efetuar atos motores distintos, de acordo com necessidades, tendências e aspirações particularizadas, pautado no seu relacionamento com a natureza e buscando autonomia corporal. Portanto, o conceito de saúde para o esportista contemporâneo diz respeito à sua capacidade de vivência global do movimento, levando em consideração aspectos sujeitáveis de caráter perceptivo e afetivo que o conduzam, individualmente ou coletivamente, à consolidação da integridade física e mental.

Cabe ainda destacarmos que, nos dias atuais, a evolução da busca pela saúde, em paralelo com a satisfação do movimento, acontece mediante uma cultura motriz cujos resultados são direcionados pela busca de uma imagem corporal almejada. Contudo, a evolução de todo esse processo exige do esportista sua capacidade de superação aos obstáculos iniciais de adaptação e consolidação dessa cultura motriz. E essa consolidação só é possível quando o esportista faz emergir, de dentro de si, toda dinâmica, continuidade, harmonia e expressividade da energia de superação, tanto em um estado afetivo agradável quanto desagradável. Uma vez que todo processo de condicionamento físico envolve diferentes estágios e níveis de adaptação, há que se ter como meta o alcance dessa capacidade de superação por parte de todo esportista. Em resumo, podemos destacar que o conceito de saúde para o esportista tem sua gênese na íntima relação entre filosofia e medicina, e na influência mútua entre ambas, motivadas pelo desejo do movimento e pela busca do condicionamento físico desejável e bem-estar emocional. Parabéns a todos os esportistas que conseguem levar adiante a prática diária desse conceito de vivência social.

por Sanderson Cavalcanti